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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Psicoprofilaxia, a nova psicologia e o futuro que nos espera. Uma metacomunicação do saber.

A vida só se compreende mediante um retorno ao passado, mas só se vive para diante.” Soren Kierkegaard

Os pensadores antigos discutiam, muitas vezes, questões que estavam além de sua época, pois procuravam dentro de si resposta para as mais variadas perguntas. Os interesses, ambições e objetivos sempre foram os mesmos em discurso, ao bem da ciência e da sociedade, porém a manipulação e a alienação sempre fizeram parte do mesmo contexto.
A psicologia mentalista ganhou espaço em meio à sociedade a partir das percepções do médico vienense Sigmund Freud que fora treinado a diagnosticar e prognosticar seus pacientes, até aparecer os primeiros casos de somatização. Devia ser frustrante para os médicos da época não saber diagnosticar tais pacientes que se queixavam de sintomas em lugares diversos sem relação ou sentido aparente. Freud foi além escutando e tratando seus pacientes de forma diferenciada, mas ele ainda era um médico programado para decodificar patologias e prescrever remédios e/ou atitudes curativas.
Os filósofos gregos –notadamente Sócrates, Platão e Aristóteles- afirmavam ser o distúrbio mental resultante de processos de pensamento desordenados. Prescreviam o método persuasivo de cura por meio da força das palavras (SHUTZ; SHUTZ, 2006, p.349).
A medicina é uma área do conhecimento que, de forma generalista, tem como objetivo a conservação e restauração da saúde. Freud fez um belo casamento entre medicina e filosofia para criar a psicanálise que enfrentou críticas severas por não atender todas as exigências acadêmicas para ser aceita como uma ciência natural.
A Psicologia se desenvolveu em diversas linhas, e todas traziam a herança de tratar a patologia, que não pode ser negada e precisa da devida atenção. A questão é que estamos fazendo, ensinando e aprendendo uma psicologia neurótica que está quase sempre, anuindo com a psiquiatria em busca de novas psicopatologias, procurando padrões em sintomas que permitam enquadrar os indivíduos. Que entendamos e discutamos o CID 10 e o DSM IV, mas daí a perder uma possível originalidade por vislumbrar outro viés é se render a praticidade e falta de comprometimento com a verdade, sintoma da pós-modernidade. Não são as doenças que definem os indivíduos, mas sim os indivíduos que definem as doenças. Bohoslavsky (1977) explica que a psicoprofilaxia pode ser entendida como toda atividade que, a partir de um plano de análise possa empregar recursos e técnicas que tendam ao desenvolvimento das potencialidades do ser humano, seu amadurecimento como indivíduo e, finalmente, sua felicidade. Ele ainda enfatiza:
... seria conveniente que além da função psicoterapêutica, os psicólogos compreendessem a enorme diversidade de campos que requerem nossos serviços profissionais, e que somente nós podemos atender (BOHOLAVSKY,1977, p.11)
O psicólogo norte americano John Shotter cita Popper em seu artigo “O que é ser humano” ressaltando a distinção que ele fez do mundo natural e do mundo cultural. Shotter explica que existe o mundo natural, o mundo dos estados psicológicos das pessoas, e as partes do mundo natural que são produtos da mente humana, essas definições são chamadas de mundos 1, 2 e 3, e teriam surgido exatamente nessa ordem segundo Popper. Assim temos na sequência a natureza, o homem e a cultura, sendo que desses três Popper dá uma atenção especial a cultura quando ele cita:
Um dia teremos que revolucionar a psicologia ao olharmos para a mente humana como um órgão para interagir com os objetos do terceiro mundo; para entendê-los, contribuir para eles, participar neles; e para fazermos com que tenham importância no primeiro mundo. (POPPER, 1972 p.156).
Então vemos em Popper um utopista que visa uma realidade onde o homem se relacionará com a cultura para entendê-la, produzi-la, participar desta e fazer tudo isso de forma ecológica. O interessante dessa percepção é que essa revolução já é explícita em outras áreas do saber, pois como Bené Fonteles cita em seu manifesto “Antes arte do que tarde” escrito para a ocasião do Encontro Mundial Arte e Identidade Cultural na Construção de um Mundo Solidário/ São Paulo, abril-maio de 2001:
... eu desejo uma sabedoria que abandone a pretensão acadêmica de querer salvar o Mundo com o projeto inútil do acúmulo do conhecimento, em vez de querer a redenção da Terra pela nudez imensa da simplicidade do saber popular e natural.
O que Popper e Bené oferecem é psicoprofilaxia, pois é estar no mundo e para o mundo sem necessariamente responder as exigências massificadas de um contexto pós-modernista onde o ter é mais importante que o ser, e isso não se limita apenas a uma concepção monetária ou materialista, estas formas de ter, além do conhecimento, entre outras categorias, se interelacionam com o status que traz arraigado em si uma infeliz hierarquia cultural.
Falando de revolução não poderia deixar de citar um grande ícone do cinema brasileiro que até hoje está além do nosso tempo e que era o que era muito provavelmente pela atenção que ele dava a lógica dos seus sentimentos. O antropólogo Darcy Ribeiro discursou no enterro de Glauber Rocha, em 1981 o seguinte:
Sua breve vida. Sem pele, com a carne exposta, capaz de gozo decerto num é Glauber!? Mas mais capaz de dor, da nossa dor. Uma vez, eu não vou esquecer nunca, Glauber passou a manhã abraçado comigo chorando, chorando, chorando compulsivamente. Eu custei a entender. Ninguém entendia que Glauber chorava a dor que nós devíamos chorar, a dor de todos os brasileiros. O Glauber chorava as crianças com fome, o Glauber chorava esse país que não deu certo, o Glauber chorava a brutalidade, o Glauber chorava a estupidez, a mediocridade, a tortura e não suportava, chorava, chorava, chorava. Os filmes do Glauber são isso, é um lamento, é um grito, é um berro.
Essa herança que fica de Glauber. O que fica de Glauber para nós: a herança de sua indignação, ele foi o mais indignado de nós, indignado com o mundo tal qual é, assim, indignado porque mais que nós também Glauber podia ser o mundo que podia ser. Que vai ser Glauber, que há de ser.
Glauber viveu entre a esperança e o desespero, como um pendulo, louco.
O cineasta Silvio Tendler deixa o registro: “Cada um tem um Glauber dentro de si”.
E me referindo a esse último trecho do discurso de Darcy, divago. Ainda bem que temos a esperança para contrapor o desespero, porém, se não fosse o desespero talvez não precisássemos da esperança. Dizem que a esperança é a última que morre. Depois que ela morrer certamente teremos coisas mais importantes a tratar.
Übermensch, psicoprofilaxia é educar, é – como diria a nova psicologia que Shotter cita- aumentar os poderes pessoais de ação responsável, aumentar não apenas o controle das pessoas sobre outras, mas o controle sobre seus próprios modos de vida. Aceitando o inevitável e indo de encontro a si mesmo.



Referências:
BOHOSLAVSKY, R. Orientação Vocacional: A Estratégia Clínica. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
SHUTZ,D.P.; SHUTZ,S.E. Historia da Psicologia Moderna. São Paulo:Thomson, 2006.
TENDLER, S. Glauber o filme, labirinto do Brasil [Filme-DVD] Produção de Silvio Tendler. Rio de Janeiro. 2003 DVD/NTSC, 98min. cor. som.
ILÁRIO E. A Bioética frente ao irracionalismo na pós-modernidade. Bioética v. 9, n. 1, p. 13-23, 2001
SHOTTER J. O que é ser humano? Reconstructing Social Psychology. Harmondsworth: Penguin Books, pp.53-71, 1974

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Antes arte do que tarde.


...
Eu pergunto: o que os artistas ditos contemporâneos, principalmente europeus e norte-americanos com sua arte para consumo estético, catastrófica e sem apontar esperanças, propõem para um projeto construtivo e humanista no século XXI?
Tenho sérias dúvidas sobre alguma resposta coerente e substancial quando visito as exposições e vejo apenas um deserto de idéias e ideais. Viajo só e felizmente por este país que antropofagicamente por natureza, e, infelizmente por ignorância e insegurança, come com exagerada gula, sardinhas enlatadas da cultura oficial: mídias e curadorias internacionais. E, para fomentar inclusões e aprovações de projetos, precisa fazer mais lobby do que vivenciar um verdadeiro processo criativo.
Este também é o Brasil da política dos subsídios econômicos incentivados pela cultura quase mercadológica do seu Ministério da Cultura e não, o da poética dos substratos culturais vindos da dinâmica criadora de seu povo.
É um país em que seus agentes sensíveis, os artistas, esquecem de cantar sua aldeia, e, por assim não interpretá-la, questioná-la e argüí-la, deixam de ser universais. Macaqueando a sintaxe globalizada e uniformizada, eles produzem obras para solitários ambientes museológicos, em vez de gerarem solidárias e responsáveis proposições e transgressões da realidade por meio do re-encantamento poético do humano e de seu mundo.
...
Muitos artistas interessantes caíram nessa armadilha, até mesmo os que ainda dialogavam experimentalmente com a Vida através da Arte e não da pressa voraz do mercado.
Aonde está uma Arte feita com as necessidades do espírito e a vontade visceral do prazer e não com as próprias vísceras, excrementos e outros elementos brutos para satisfazer a mera "sensation"? Para que chamar mais atenção da mídia, de colecionadores e "curadores" esdrúxulos e oportunistas do que da nossa necessidade real de educar a sensibilidade? Por que então não investir em afinar sensorialmente a consciência sensível de um público carente de agentes transformadores e transmutadores da realidade?
É precioso ler com atenção "O conceito ampliado de Arte" de Joseph Beuys, no qual referindo-se ao "princípio criativo", exige uma melhor forma de pensar, acuidade no sentir e verdadeiros critérios estéticos para nortear uma obra de Arte e seu papel na comunidade. E para isso o artista não precisa ter só uma inteligência criativa, é também necessário ter princípios filosóficos, éticos e espirituais.
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Albert Einstein não estava brincando com o acaso quando disse que "Deus não joga dados". Até alguns executivos já sabem disso e percebem as extensões sutis e infinitas do despertar para uma mente não só ocasional e objetiva, mas consciente de um projeto incondicional de libertação. Por isso meditam e lêem livros sobre a nova ética escritos por Tenzin Gyatso, o Dalai Lama, Fritjof Capra ou Leonardo Boff. Enquanto isso, muitos "artistas ingênuos" e desinformados sobre o novo paradigma, lêem teorias acadêmicas sobre o vazio do vazio. Pior, pensam e agem com o egoísmo de uma arte individualista, esteticista, antiecológica e perversa em sua utilização da matéria orgânica. É preciso perguntar a pedra ou a uma árvore – como faziam nossos ancestrais do oriente – para saber o que elas querem ser, e não impor uma forma a suas matérias luminosas e inteligentes. Como artistas, somos também alquimistas e nos cabe recordar o que custou a Van Gogh o fato de descobrir que sua vida era a Arte, e, que a matéria de sua pintura era luz e energia.
...
- Que arte é essa onde o "curador", produtor e atravessadores culturais, são mais importantes do que a concepção e o sacro-ofício dos artistas?
Eu insisto: que espécie de seres são estes que deixam-se guiar mais por teorias estéticas pensadas na academia do que por suas intuições e vivências solidárias e responsáveis com o povo do seu país, a Natureza e a universalidade do planeta?
– Que arte é essa que agora não mais procura o "exercício experimental da liberdade" como nos desejava Mário Pedrosa e que não mais transgredindo o sistema, ainda se põe respaldada pela mídia e pela academia a serviço dos vícios da indústria do entretenimento cultural?
Para que serve esta arte: Que vira fetiche e curiosidade quantitativa do jornalismo em vez de inspiração privilegiada para o exercício sadio da crítica nos caderno culturais? Que é mero resultado fácil de mercado e "produto cultural" em vez de engrandecimento, instrumento de evolução da inteligência subjetiva e ascensão do espírito humano?
Portanto, eu quero como um revolucionário embora tardio, sacudir nossas atitudes viciadas em projetos de vida aprovados pela Lei de Incentivo à Cultura. E, por mendigarmos patrocínio nas empresas, que aliviam seu ônus econômico e às vezes até sua consciência pelo que prejudicam à saúde humana ou exploram e poluem indevidamente os recursos naturais. Tudo isso, muitas vezes para realizar mais uma exposição vazia, mais um cd sem amor à música, mais um teatro absurdo sem serviço à consciência planetária ou mais um balé para dançar narciso.
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Por isso, eu desejo uma sabedoria que abandone a pretensão acadêmica de querer salvar o Mundo com o projeto inútil do acúmulo do conhecimento, em vez de querer a redenção da Terra pela nudez imensa da simplicidade do saber popular e natural.
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É preciso exercitar com humildade o poder precioso de nosso livre-arbítrio na responsabilidade solidária com a Vida. Ou, todos faremos papel de passivas vítimas da barbárie globalizada.
Tudo o que nos resta é recuperar a dignidade de ser artista e estar habitado pela grandeza de se expressar como um cidadão incomum, indignado com a miséria que cria o estado de sobrevivência para os sem terra e esperança, os sem teto e alegria.
Agora é a hora dos ARTIVISTAS, mixagem de ativista político com o artista poético, e vice-versa, despertarem o acomodado brasileiro que dorme no berço esplêndido da inconsciência nacional.
O ARTIVISTA é aquele que vai dignificar sua escolha de ter vindo neste momento ao planeta e ao lembrar-se da sua Origem, exigir o melhor de sua herança Divina: a felicidade.
Nós merecemos uma Arte que nos inspire a um projeto mais humano e pacífico em nossa passagem de aprendizes da Terra.


Trechos do texto de: BENÉ FONTELES, Coordenador do "MOVIMENTO ARTISTAS PELA NATUREZA"
Você poderá encontrar esse texto na íntegra em: http://www.imediata.com/sambaqui/Bene/index.html

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O começo do fim ou o fim do começo?


Porque devemos trabalhar cinco dias e descansar dois? Sem falar que tem gente por aí que trabalha seis vezes na semana e descansa um. Será que viver da terra, isso mesmo, da agricultura, nos daria tanto trabalho? -Vai pro mato vagabundo! Eu até iria. Mas em toda minha vida ninguém nunca me ensinou agronomia, com ela em meu currículo quem sabe eu soubesse algumas técnicas de cultivo. Nem meus familiares, mesmo vindos do interior, nem a Educação me deram se quer uma base para isso. Sabe por que meus familiares não o fizeram? Por causa da cultura que eles consomem. Sabe por que a Educação não o fez? Interesse. Por que diabos vão ensinar a população a plantar se queremos –teoricamente e praticamente- que todos comprem para os impostos alimentarem o Estado (cheio de políticos extremamente egoístas)?
Eu até gostaria de plantar, mas é complicado fazer uma cisão tão radical na forma que me ensinaram a viver. Condicionamento não é brincadeira. E essa forma de viver na verdade não é de todo pior, porém tem algo que me incomoda profundamente. Porque corremos tanto? Para onde estamos correndo? Correndo para viver ou para morrer? Espero que seja para morrer, pois se isso for viver acho que alguém tem que rever está questão. Pensando nesse assunto eu me pego em um ponto: Será que sou eu que sou preguiçoso ou as pessoas é que estão acostumadas a se acostumar com as coisas? Estresse é necessário para os músculos, por exemplo, para que haja desenvolvimento. Mas não é novidade que em demasia causa uma sobrecarga que muitas vezes é descarregada em ataques de fúria, descontrole, desamparo, em somatizações e tantos outros malefícios que nós já conhecemos, por ter lido ou por ter passado por isso.
A questão é que já está tudo pronto, pronto para consumir. Comida no supermercado, locomoção boa tem que ser de carro e o combustível, claro, se encontra no posto. A televisão já mostra a realidade, ela é cruel todo santo dia, e eu sei que quem rouba na rua é pobre fela-da-puta que tem que se fudê mesmo na mão da polícia e mostrar em programa ao meio dia e ladrão que rouba de terno é... o Brasil vai sediar a copa de 2014 ou a bolsa caiu e por ai vai. Falando em bolsa, o que é isso mesmo? Nada demais, só fala da cotação (?) da moeda que deve estar subindo ou então descendo, que nada, a gente acostuma com isso também, mesmo sem entender é importante saber.
De vez em quando eu fumo, de vez em quando eu bebo, de vez em quando faço esporte, de vez em quando eu riu, de vez em quando me reúno com os amigos, só não dá para trabalhar de vez em quando porque assim o sistema quebra. Será? Já virou necessidade básica, é quase como comer ou cagar. Inventaram de dividir o dia em vinte quatro horas. Genial. Metódico, sistemático, ordenado, organizado. Mas e o tempo de cada um? Individualidade, isso existe ou todos devemos seguir as mesmas regras e condições? Pera ae! Assim você quer implantar o caos. O novo da medo não dá?
Tiraram os africanos de sua terra natal, acusaram os índios de preguiça por não quererem fazer parte do sistema imposto. Mas parece que não se tem escolha quando a base é feita através de um processo exploratório. O negocio é se acostumar.         
    

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Deixa o menino jogar

Natiruts

O valor de um amor não se pode comprarOnde estará a fonte que esconde a vida
Raio de sol nascente brotando a semente
Os anos passam sem parar
E não vemos uma solução
Só vemos promessas de um futuro que não passa de ilusão
E a esperança do povo vem da humildade de seus corações,
Que jogam suas vidas seu destino nas garras de famintos leões
Deixa o menino jogar ô iaiá
Deixa o menino jogar ô iaiá
Deixa o menino aprender ô iaiá
Que a saúde do povo daqui
É o medo dos homens de lá
A consciência do povo daqui
É o medo dos homens de lá
A sabedoria do povo daqui
É o medo dos homens de lá
O valor de um amor não se pode comprarOnde estará a fonte que esconde a vida
Raio de sol nascente brotando a semente
Sinhá me diz porque é que o menino chorou
Quando chegou em casa e num canto escuro encontrou
A sua princesa e o moleque fruto desse amor
Chorando de fome sem saber quem o escravizou
Deixa o menino jogar ô iaiá
Deixa o menino jogar ô iaiá
Deixa o menino aprender ô iaiá
Que a saúde do povo daqui
É o medo dos homens de lá
A consciência do povo daqui
É o medo dos homens de lá
Sabedoria do povo daqui
É o medo dos homens de lá

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O Mensageiro do Sétimo Raio III



O encontro

Revigorado com o encontro que teve com Harrael, Guebreu continuou a se movimentar sentindo cada contração muscular, tendo certeza de que cada átomo do seu corpo vibrava para apenas um objetivo. Em sua cabeça o silêncio lhe permitia sentir para onde deveria ir. Quando não teve dúvidas que estava no lugar certo, teve um forte ímpeto de fazer uma coisa que não era aceita em sua cultura. Se colocar além da sua dimensão. Sem titubear Guebreu se pôs a sair lentamente do meio que lhe era familiar até as pradarias distantes que uniam o céu a terra como um só.
Por um breve instante ficou a observar aquele ser diferente naquele processo massante de emergir e submergir bem em sua frente, até que ele abriu os olhos. O estado de êxtase era recíproco e os dois se observaram tranquilamente até que Zadkiel ouviu em seus pensamentos: “O que deseja?” Tendo certeza de que aquilo foi uma comunicação telepática Zadikiel não tardou em pensar: “Fazer contato para entender por um outro viez o que é o universo.” Surpreso com  a profundidade da questão Guebreu incistiu: “O por quê do seu interesse é relevante para minha escolha.” Certo do que queria, Zadkiel respirou fundo fechou os olhos e com toda sua vontade expressou:
-Quero mostrar para as pessoas que o mundo é muito mais do que vivemos. Tenho muita vontade que os meus iguais percebam que existem coisas além do que os olhos podem ver, as mãos tocar, e ainda assim fazem diferença em nossa jornada. Como indívíduo e como coletivo.  
Guebreu sentiu o pensamento de Zadkiel vibrar por seu rosto identificando cada corda vocal em seu pulsar. A sinceridade daquela espécie selava a sua escolha diante da sua exigência. Guebreu estendeu a mão e a colocoua frente a testa de Zadkiel que por segundos experimentou uma sensação de completude que o fez se sentir tão importante quanto as estrelas, pelo simples fato de existir.
Foi como um despertar. Por ter uma prática de sistematizar suas idéias e sentimentos, imediatamente pensou nos átomos, que formavam moléculas, que compunham as células das quais faziam parte de um tecido que eram também os poros do organismo que ele era. Organismo. Quantos microorganismos co-existem comigo e dentro de mim? Imaginar que sair do útero foi trocar o líquido aminiótico por uma variedade de estímulos é algo inalcançável para alguns. O que diria pensar que agora faço parte de um imensso útero de forma aredondada com oceanos e continentes. Quão melhor for o meu desenvolvimento aqui, será mais agradável a minha última mutação em carne. Meu nascimento.



O Mensageiro do Sétimo Raio I
O Mensageiro do Sétimo Raio II
O Mensageiro do Sétimo Raio III
O Mensageiro do Sétimo Raio IV


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O Mensageiro do Sétimo Raio II


Contato
Guebreu acordara de um sonho lúcido e ainda estava a pensar nas imagens que havia visto enquanto dormia quando ouviu um chamado. Era algo sutil como um sussurro, nada parecido com qualquer coisa que já tivesse ouvido antes, mas ter consciência de que sua audição capta determinadas vibrações inaudíveis para outras espécies o deixou curioso para saber quem seria o emissor daquela estranha mensagem.
O que tinha começado como um sussurro começou a ficar alto e claro, ainda que sem significado aparente. Tudo que ele começava a fazer o lembrava daquele canto inusitado nunca ouvido antes, até que resolveu meditar naquele estímulo e se deixou levar pela intuição. Em estado de concentração começou a se sentir ansioso e as palavras que ecoavam em sua cabeça eram: “Por favor me escutem, eu preciso de vocês!” ­–Eu preciso de vocês? Quem precisa do quê? A ressonância não batia, se fosse uma mensagem ela estava muito mal formulada. Se dedicou a intuir o chamado que por horas não saia de seus pensamentos e se pôs a se locomover para onde sentisse que deveria ir.
Como de esperar, Guebreu encotrou Harrael ;que tambem era conhecido como Engalic, o temido. Dominador da alquimia dos tempos, Harrael viajava por multi-dimensões trazendo consigo o pleno conhecimento da verdade. Experimentado e vivido tinha um enorme conhecimento sobre si mesmo, mostrava qualquer questão antes que essa pudesse ser somatizada pelo corpo de qualquer criatura do plano vísivel ou nessecitada dos campos psíquicos. Com palavras nítidas guiava os incautos que apareciam em seu caminho. Mas o que deveria lhe causar apenas alegrias, lhe dava tambem profunda tristeza, pois em tantas vidas que havia passado nunca se conformou em ser negado por ganancias e vaidades que os mais imaturos almejavam.
Ao se deparar com Harrael, Guebreu fez uma referência honrosa e singela agradecendo pela dádiva que era encontrar tal ser. Enquanto para alguns olhar para dentro de si e falar sobre a verdade era um martírio ou até mesmo uma perda de tempo, para outros era um dos maiores presentes que o divino poderia vos dar. Harrael como bom mentor daqueles que queriam desnudar as cortinas da sua própria realidade, não poderia ter deixado de ouvir a súplica de Zadkiel que impressionantemente alcançou os ouvidos de Guebreu que procurava formas de decodificar aquele chamado. Como o som de um trovão debaixo da água, Guebreu assentiu com o conselho: “És mais do que podes pensar, acredite e acontecerá.”



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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O Mensageiro do Sétimo Raio I

 

Quarto dia

Comprometido com a idéia de procurar vida inteligente além do meio que o cerca, Zadkiel desde sempre teve uma curiosidade incomum pelo céu estrelado. A comunicação para ele é um nível avançado de inteligência, e é através dela que poderíamos entender o modus vivendi entre outras espécies, ou seja, entender como se faz para entrar em acordo mesmo quando se tem opiniões divergentes, de tal maneira que elas concordem em discordar respeitando o espaço um do outro.
Sendo um ser aplicado, sempre tentou se comunicar com os diversos tipos de seres considerados vivos por ele mesmo. Acreditar na vida dos minerais foi um dos maiores afrontamentos que ele fez , pois se comunicar com seres vegetais e animais já não era novidade em seu povoado, e era uma prática constante desse protagonista de suas idéias.
Em sua cultura existiram seres muito antigos que hoje eram vistos apenas como mitos e desacreditados quanto a sua existencia factual. Esses seres viviam em uma dimensão diferente da sua, mas ainda sim eram do mesmo ecosistema. A diferença é que as sereias nunca precisaram sair da sua realidade pois seu meio sempre lhe deu tudo que precisava para viver e tambem sempre tiveram a consciência do risco que seria o contato com uma civilização tão questionadora e inconcequente. Ser dissecado nunca lhes pareceram uma boa prova de amizade.
Com seu instinto curioso e se deixando guiar pela intuição, Zadkiel sabia que existia muitas coisas em seu proprio planeta das quais ele desconhecia; consigo mesmo, pensou em fazer contato com o desconhecido mais próximo, para que passo a passo pudesse um dia chegar aos desconhecidos das estrelas. Bom leitor dos mitos mais antigos de sua civilização, ele não descartava a possibilidade de nada, a idéia de crer para ver era o seu guia e a conscequência de suas crenças iriam lhe mostrar o que havia de mais sutil no universo. 
Certa vez estando no mar de seu planeta Zadkiel se recordou do canto das baléias e pensou que o canto da sereia talvez não fosse simplesmente folclore. Ávido pelo insght mergulhou sua cabeça dentro d´agua e começou a gritar. O grito esganiçado e cheio de bolhas parecia qualquer coisa menos um canto, então ciente de sua incompetência como cantor debaixo d´agua não tardou em ensaiar. Três dias de cantos e nada acontecia, porém a certeza dava forças a perceverança que só ficaria satisfeita com uma resposta, não exigida, mas suplicada para que ele constatasse que não estava sozinho em seus pensamentos. No final do quarto dia sob a luz branco cristal refletida pela única Lua ,que seu planeta tinha (por opção),  em seu mantra de emergir, respirar, submergir, cantar até esvair todo seu fôlego -que nesse momento já tinha o dobro da sua capacidade por seu treino- em uma dessas sequências depois de levantar sua cabeça da água viu em sua frente um ser com cara de peixe, o que quase lhe fez soltar um grito de susto, mas como estava tranquilo pela frequencia que seu corpo tinha tomado pelo movimento ritmado de sua respiração, ele deu um soluço abafado e simplismente relaxou ficando ali, parado, apenas a adimirar aquela criatura nunca antes vista pelo seus olhos. 



O Mensageiro do Sétimo Raio I 
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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Educação Escolar: políticas, estrutura e organização


Uma visão crítica e singular

 
Um Estado bem consolidado oferece uma educação básica universalizada e condições sociais favoráveis ao indivíduo. Assim não é o Brasil, ainda. Em 1929, com a quebra da Bolsa de Nova York, o Brasil afundou com a crise do café, porém enquanto uns se afogavam com o colapso econômico outros mudavam suas estratégias com a substituição das importações, alterando assim o comando da nação, que passou da elite agrária aos novos industriais. A intensificação do capitalismo industrial alterou as aspirações sociais em relação à educação, uma vez que nele eram exigidas condições mínimas para o ingresso no trabalho, enquanto na oligarquia rural a necessidade de instrução não era sentida nem pela população nem pelos poderes constituídos.
A consolidação do capitalismo no Brasil trouxe o aparecimento de novas exigências educacionais, melhor dizendo, a educação só surgiu no Brasil graças a movimentação do dinheiro, pois em dez anos, desde a quebra da bolsa, houve um desenvolvimento do ensino jamais registrado no país. Nesses dez anos, os cinco primeiros foram de um período centralizador da organização da educação até os interesses políticos entrarem em pauta. De boa intenção o inferno está cheio. Anísio Teixeira propôs a municipalização da educação no intuito de descentralizar o poder político no país. Talvez ele não tenha percebido que a descentralização e democratização da educação escolar no Brasil não podem ser discutidas independentemente do modo pelo qual é concebido o exercício do poder político no país, ou seja arquitetado plutocraticamente com o resto do planeta graças a globalização. E claro, desde o final do século XX, a descentralização da educação vem atrelada aos interesses neoliberais de diminuir gastos sociais do Estado.   
A atualidade foi construída através do processo histórico/político formado pela ambição totalitarista monetária, me permitindo o chiste, o PAM (Partido Ambicioso Monetário). No PAM não há praticamente lugar para o trabalhador desqualificado, incapaz de assimilar novas tecnologias, sem autonomia e sem iniciativa. A priorização da educação, nessa forma de governo, tem estado mais no discurso do que nas ações desde 1930 para o Brasil, sempre privilegiando apenas as famílias bem abastadas. Nem a racionalidade científica foi capaz de criar condições necessárias para um bom desenvolvimento do senso crítico da população em geral, pois levantando a bandeira da liberdade do ensino, as escolas privadas em 61 deram um jeito de receber recursos públicos. Foi criada então a empresa mais lucrativa da história. A Escola. Como o ser humano é um bicho adaptativo ele conseguiu achar lugar no novo sistema produtivo sendo um trabalhador cada vez mais polivalente, flexível, versátil, qualificado intelectual e tecnologicamente e capaz de se submeter a um contínuo processo de aprendizagem. Esse novo perfil de força do trabalho requer muita flexibilidade e funcionalidade.
Para comprovar nossas hipóteses do processo histórico, podemos ver que no campo da educação existem projetos que visam uma elevação da qualidade do ensino através da competitividade, da eficiência e da produtividade demandadas e exigidas pelo mercado, tratando-se obviamente de um critério mercadológico de ensino expresso no conceito de qualidade total.  A idéia é fazer um mercado educacional onde à pedagogia da concorrência, da eficiência e dos resultados se sobreponham a uma educação voltada para o reconhecimento à singularidade e aos próprios limites. Uma das condições que proporcionam esse assassinato do Eu são as avaliações constantes que medem o “desempenho” e a “qualidade” dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos, que conseqüentemente cria uma condição de competitividade, e para justificar tal corrida temos um investimento exacerbado em disciplinas, como Matemática e Ciências, graças à competição tecnológica mundial deixando a desejar matérias importantes como Filosofia, Sociologia, Antropologia entre outras.
Ao invés de um projeto educacional para a inclusão social e para a produção da igualdade temos um sistema onde a mobilidade social é pensada sob o enfoque estrito do desempenho individual. O neoliberalismo trouxe a globalização, que nada mais é do que uma tendência internacional do capitalismo que impõe aos países periféricos a economia de mercado global sem restrições a competição ilimitada e ao crescimento da exclusão social. Deixando claro que tendência não é destino nem obstáculo intransponível, devemos perceber que não é através da supervalorização da competitividade, do individualismo, da liberdade excessiva, da qualidade econômica e da eficiência para poucos e a exclusão da maioria que vamos ter um sistema não muito melhor do que o que já está instalado. Devemos gritar pelo incremento da solidariedade social, da formação de valores, da cidadania aplicada, da valorização do cuidado com o humano em todas as dimensões.
No contexto da sociedade contemporânea, a educação deveria ter uma tríplice responsabilidade: ser agente de mudanças estando capacitada a gerar conhecimentos e desenvolver ciências e tecnologias; trabalhar a tradição e os valores nacionais ante a pressão mundial de descaracterização das culturas periféricas; preparar cidadãos capazes de entender o mundo, seu país, sua realidade, seu universo e de transformá-lo positivamente. A formação da cidadania aplicada sugere cidadãos trabalhadores capazes de interferir criticamente na realidade para transformá-la, e não apenas para integrar o mercado de trabalho. A emancipação objetiva de todas as formas de dominação torna-se possível se os indivíduos desenvolverem capacidades de aprendizagem baseadas em uma prática comunicativa. Para isso, é necessário um investimento na capacidade de situar-se em relação aos outros, de estabelecer relações entre objetos, pessoas, idéias; desenvolver autonomia reconhecendo regras sociais relacionadas ao acordo mútuo, ao respeito ao outro e a reciprocidade; expressar idéias, desejos e vontades de forma cognitiva e verbal, incluindo a perspectiva do outro; investir na capacidade de dialogar. Só assim será possível reabilitar a sociedade no âmbito da esfera pública de forma tal que as pessoas possam participar das decisões não por imposição, mas por uma disposição de dialogar e de buscar consenso, com base na racionalidade.
                                                                                                          

Baseado no livro "Educação Escolar: políticas, estrutura e organização" de Libaneo e José Carlos que você pode achar aqui

                                            

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Manipulação Midiática

Sylvain Timsit e as 10 Estratégias de Manipulação Midiática.

Sylvain Timsit elaborou a lista das "10 estratégias de manipulação" através da mídia na sua concepção e na de quem quiser concordar:

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')".

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
Este método também é chamado "problema-reação-solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? "Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver "Armas silenciosas para guerras tranqüilas")".

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos...

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')".

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto...

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução! »

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

Esse texto é de Sylvain Timsit e não de Noam Chomsky como muitos sites têm veiculado, o que o faz menos científico, porém não menos real. É só ligar a TV e constatar por si mesmo.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Como tudo começou...

Era uma tarde de mais um dia daqueles que o Sol nasce e morre sem dar satisfações a ninguém. Sem a claridade da estrela maior as mais distantes começaram a aparecer como vaga-lumes em um breu sem fim. O vento frio trazia um gosto de sangue dos lábios cortados pela tremedeira do bater de dentes. Tudo me lembrava o vazio. Sem rima, nexo, ou autoria se quer. Toda forma de conteúdo era apenas reverberação de pensamentos ressoando em uma caixa de sinapses aparentemente fechada para os estímulos exteriores. Ledo engano.

Vencido pela textura dos estímulos físicos, nítidos para minha percepção limitada, me vi sem importância diante da vasta imensidão que me rodeia. Decidi procurar um porque. A idéia era simples. Nunca acreditei muito nas coisas, mas a questão agora não estava apenas em acreditar ou não. Estava em entender o porque de existir.

Deve ser fácil ser gado quando já se nasce no pasto. Já nasce andando, mama, com o passar do tempo começa a mugir, se comunicar com seus semelhantes, passa a comer grama, se acostuma com os estímulos do ambiente, aprende que certos estímulos são desagradáveis, evita-os, é raptado pelo desejo ao sentir a fêmea, se excita, come mais grama, engorda, caga, peida. É incrível a semelhança com o homem, com algumas ressalvas, é claro. Mas a diferença maior é que o gado do pasto em um determinado momento será sacrificado para servir de alimento para seres que têm certa dificuldade para dar um sentido à vida. Mas eles morrem por um aparente motivo lógico.

Lei do mais forte. Cadeia alimentar? Afirmaram que o homem é um ser superior. Superioridade, nessa tão eloqüente afirmação, deve estar relacionada à condição de subjugar outros seres e/ou até mesmo os da mesma espécie.

Não sei. Depois de vislumbrar essas questões fiquei temeroso pelo que me espera. Será que devo me sentir responsável pelos feitos dos meus semelhantes no contexto geral? Continuo sem explicação para o existir. Talvez não esteja indo pelo caminho mais adequado. E se simplesmente não houver sentido para existir? Se fosse assim acho que eu não existiria. Talvez eu finja que existo e me mantenho respirando apenas para continuar tendo as sensações que aprendi a ter e de certa forma a controlar. Como elas não têm nenhuma ligação entre si eu posso...

...não têm ligação. As formigas andam em fila em direção ao seu formigueiro e recentemente descobri que isso acontece por causa de uma substância que elas deixam no caminho para que as outras possam se situar e continuar seguindo a fila. Se passarmos o dedo nesse rastro, a que vem logo depois fica perdida por um certo momento até achar de novo o caminho. Enquanto eu não sabia dessa tal substancia, aquela trilha de formigas andava em fila sem nenhuma ligação aparente.

Tem sempre um mártir nas histórias e mitos dos homens. Geralmente eles são representados como figuras muito importantes para a humanidade por trazerem em si um ideal. Algo que não é somente falado, mas é vivido por aquele que é extraordinário pelo ato de ser o que é e vive em prol de si mesmo chegando comumente a uma relação de amparo e solidariedade para com o outro. Muitas vezes trás em suas palavras algo relacionado a um caminho a seguir. Mas quem foi que passou o dedo no meu caminho? Não consigo me achar. Aliás, eu nem sei se um dia eu segui algum caminho. Eu teria meu próprio caminho ou deveria seguir o rastro do caminho dos outros? Quem sabe o meu caminho se confunda com o caminho de outros assim como as formigas, ou quem sabe o meu caminho eu tenha que trilhar sozinho, ou com um par. Com filhos?

Por que haveríamos de viver rodeados de tanta gente e ainda assim se sentir tão só? Medo de mostrar as nossas fraquezas. Há! Mas todo mundo tem fraquezas e talvez fraco mesmo seja aquele que não saiba se mostrar. Enquanto escondemos as fraquezas deixamos de mostrar nossa verdadeira força. Qualidades, dependendo do contexto são vistas como boas ou ruins. Mas no final creio que apenas sejam qualidades. Que devem ser usadas em alguns momentos e em outros nem tanto. Deveria eu continuar questionando o existir? Talvez. Mas enquanto eu não vejo nenhuma ligação entre os meus sentimentos acho que vou inventar um motivo para existir. Ele tem que fazer muito sentido, se não talvez eu possa estar menosprezando minha existência. Relacionarei minha historia de vida com minhas qualidades. Assim irei perceber com maior facilidade minhas dificuldades e também talvez perceba que tenho dons. Como usar esses dons é que vai ser a grande questão. Haveria sentido no egoísmo? Acho que sim, afinal de contas preciso sobreviver e assim pensar em mim mesmo. Só que eu não posso viver sozinho, existem outras pessoas que me acrescentam e muito, por sinal tenho prazer em servi-las. Ainda assim sou egoísta pois sirvo tendo prazer nisso.

Será que dá para amar só por amar?

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

É dando que se recebe.

“A teoria do big-bang descreve a origem do universo como uma explosão de partículas elementares que emergiram espontaneamente de um vácuo virtual. A formação de átomos, de estrelas e de galáxias ficou sujeita ao esfriamento termodinâmico enquanto o universo se expandia. Para a ciência, a vida é uma combinação acidental de moléculas em um planeta dotado das condições exatamente favoráveis para o seu desenvolvimento, e a existência humana não tem nenhum propósito cósmico. O valor da vida é reduzido a uma adaptação bem-sucedida de indivíduos ou grupo de indivíduos em luta instintiva pela sobrevivência.” (Roberto M. Kleinman. As quatro faces do universo)


O caos é uma face da harmonia do universo. É necessário que haja uma percepção e uma aceitação do caos para então poder enfim respeitando-o perceber sua integridade e harmonia. Um exemplo simples de caos necessário para uma percepção equivocada de harmonia é a violência. A violência é por si só imprevisível, um ato violento não pode imaginar as conseqüências que trará ao meio que se expõe, assim, de maneira caótica a violência, quando não gera violência, mantém a ordem pela coerção, o que denota uma aparente harmonia, pois o ser coagido com certeza não se encontra nesse estado.

Convidado ao acaso para ser intitulado contraventor de um processo maciço histórico e opressor, estamos todos unidos pelo desejo inerente de uma vida tranqüila e sem razões para combater uns aos outros. A educação e a conscientização é ponto chave de uma revolução no nosso meio social e isso deve ser feito de maneira linear por todos aqueles que se enviesam por esse pensamento. Se as pessoas se comprometem em educar e conscientizar umas as outras de forma amigável e argumentativa no intuito de esclarecer situações e preconceitos, todo o sistema tenderá a mudar pois as mesmas pessoas que estiverem dentro desse processo irão tratar dessa maneira não só os seus familiares e amigos mas também seus clientes e desconhecidos procurando sempre uma boa abordagem sem nunca coagir ou intimidar com a lembrança de uma possível punição. É como falar com alguém que joga lixo na rua sem ter que lembrá-lo que essa atitude trará conseqüências graves, apenas ressaltando que com uma atitude diferenciada essa pessoa estaria preservando toda a nossa morada. Na composição da sociedade a instituição que mais merece atenção para tal trato é a polícia, pois Arthur T. M. Costa explica: “A atividade de polícia é, portanto, política, uma vez que diz respeito a forma como a autoridade coletiva exerce seu papel”. Se temos uma política violenta e agressiva não teremos nada diferente de uma sociedade violenta e agressiva. O medo é generalizado quando todos os meios de comunicação se encarregam em mostrar como a ação e a reação do meio é de risco a todos aqueles que o cercam gerando um clima de tensão social.

Outro ponto a ser abordado nesse tema e de grande importância é a mídia que insisti em repassar toda violência que é vivida na cidade. Por mais que um cidadão sofra repetidas vezes um assalto ou qualquer outro constrangimento social, isso deve acontecer em menos de dez ocasiões em toda sua vida e levando em consideração cidadãos que nunca passaram por tal constrangimento temos todos o desprazer de saber por dias seguidos que as ruas não são um lugar seguro, tranquem-se em suas casas e torçam para que não sejam assaltados nelas também. E os atos de caridades que são feitos diariamente na cidade? Onde estão os flanelinhas e limpadores de vidros nos sinais que trabalham dignamente em troca de uma esmola? Cadê os exemplos de honestidade e perseverança do nosso meio? Onde estão os encontros dos amigos depois de um dia corrido de trabalho? Por que não manter as pessoas em um clima de solidariedade e alegria ao invés da cotidiana tensão de desgraças e violência que invade a nossa vida toda vez que temos acesso a qualquer meio de comunicação? A intenção dos pais é manter estímulos ruins longe de seus filhos para que eles possam crescer saudáveis e otimistas, mas o mesmo não ocorre na relação mídia população, pelo contrário, a intenção parece ser aterrorizar para que as pessoas não só cresçam, mas vivam constantemente acuadas e desanimadas perante a realidade vigente. É bom ver que existem propagandas de incentivo e valorização do ser humano, mas ainda assim precisamos de mais, de muito mais. Programas que falem de educação no transito, na família, consciência ambiental, sobre as drogas em geral, consciência do valor que a vida tem, e que tais programas não se restrinjam às cinco da manhã.

sábado, 21 de agosto de 2010

Evolução Consciencial


O próximo passo da moda é sempre incerto. Ninguém tem a real imagem da aparência que vem a seguir, porém surgem as tendências e elas dão um novo rumo para o se vestir bem, o se vestir melhor. Não falo da moda como paisagem, falo dela como a evolução do conforto da humanidade, o conforto das roupas. Tudo evolui para o conforto desde a Idade da Pedra, mas nunca devemos confundir conforto com ócio. Pois quem entra no ócio para de trabalhar, e quem para de trabalhar pode facilmente parar de criar. E perceba que o trabalho aqui não é visto como um simples meio de se conseguir dinheiro. Você vai trabalhar para criar maneiras de melhorar o conforto das pessoas de acordo com os seus conhecimentos, de acordo com o que você realmente gosta, seja lá qual for sua área de atuação e levando-se em consideração que você está trabalhando com o que você sempre quis. Agora, independente da área que você escolheu para atuar, existe uma em que todos nós começamos sem ter escolhido, a da vida. Importamos-nos com todas as áreas que criamos, a vida é a área em que nascemos. Sabe qual é o próximo passo da evolução da vida na Terra? È você dar o próximo passo. Abrindo sua mente para compreender o seguinte:

Precisamos respeitar o Universo.

A palavra Universo foi citada aqui com a primeira letra maiúscula para que exista uma ênfase neste conceito. Este Universo é simplesmente o que você vive, é o seu Universo e coincidência ou não, é o meu e o de outras pessoas também. É o nosso Universo, é o que com certeza temos em comum. Olhando por esta ótica podemos todos repetir, “nós somos iguais”. Porém analisando nossa realidade de maneira simples e clara, compreendemos que independente de como somos criados acabamos sendo sempre bastante diferentes uns dos outros.

Criados com princípios diferentes? Com condições diferentes? Em culturas diferentes? No final o fato de existirem estas diferenças eventuais não é um problema, o erro maior é não aceitar isto,e julgar uns aos outros, porque sinceramente não importa saber porque estas diferenças surgem , o importante é o objetivo a que nos propomos. É o que deve ser seguido,mesmo que ninguém lhe indique o caminho a seguir. Se houvesse esta indicação ninguém ia ter que se preocupar apenas com sua própria vida, pois já teriam pessoas preocupadas com ela.

E você sabe por que se preocupariam com a sua vida? Porque se você teve a chance de existir, alguma coisa você veio fazer aqui. Além do mais importante, ser você mesmo. Os caminhos a serem percorridos desde a sua infância até o seu óbito lhe revelarão um mundo de idéias gigantesco e diferente daqueles apresentados para as pessoas que lhe cercam. E é baseado neste seu mundo de idéias que devem se dar suas escolhas.

Porém ainda não esqueçamos por total a idéia de transmissão de opiniões por meio de uma hereditariedade forçada, pois ainda existem muitos jovens sendo o que alguém gostaria que eles fossem, e não sendo realmente o que eles gostariam de ser. São desencorajados, em outras palavras têm o seu futuro amaldiçoado.

Ainda assim alguns poucos lutam pelo que gostariam de ser e acabam sendo felizes? Talvez realizados, mas nem todos, nem assim chegam na felicidade. Talvez por que a felicidade não dependa apenas do que você quer ser em relação ao seu modo de levar a vida, recebendo dinheiro, pedindo dinheiro, roubando dinheiro ou merecendo por fazer. Talvez ela esteja em uma coisa mais simples, talvez ela esteja na maneira e no jeito em que se deve tratar suas relações, consigo mesmo, com o outro, com o mundo. Respeito? É o começo, se for seguindo está linha você pode acabar percebendo que as outras pessoas fazem parte do seu contexto, em outras palavras existe algo maior a ser respeitado e que no fundo liga você ás outras pessoas.

Esse algo maior, como já mencionei, é o Universo, ninguém escolhe para nascer (é o que dizem), mas depois que nasce, esteja onde estiver vai começar a seguir os caminhos da sua nova vida. Não escolheu nascer nas Américas, nem na Ásia muito menos no Pólo Sul imagine na Europa. Pois é, quer queira quer não você nasceu e eu sei disso, pois estás a ler minhas palavras. E agora? Fazer o quê? Viver. Está com certeza foi a primeira escolha que você fez. E se ainda está vivo, é por que ainda tem alguma coisa a fazer. Mas não pense pequeno, não esqueça que você é um fruto do Universo, ele regeu assim. E a participação na evolução dele é outra escolha que só depende de você.

E se por algum acaso você pensa que depende dos outros também, esqueça. Mudando a sua vida você mudará naturalmente as vidas dos que te rodeiam. E além do mais esqueça a vida dos outros, eles vão ter seus desafios, portanto se a intenção não é ajudar, deixe-os seguir o seu próprio caminho. E siga o seu caminho respeitando o Universo como um só. Esqueça o gozo pelo gozo, dê um significado para as coisas que te rodeiam, faça o necessário para estar vivo e pense sempre em maneiras de ajudar as pessoas, se pensares assim perceberá que a recompensa é imediata. E quanto mais pessoas você ajuda, mais pessoas quererão te ajudar. Mostro uma verdade da vida sem pensar em quanto posso receber por isso, mas mirando quantos posso ajudar. Se você entendeu e quer começar a praticar e a ensinar essa perspectiva passe para outras pessoas e converse com elas a respeito do assunto, se vocês chegarem ao mesmo convencimento que eu cheguei, já somos três pessoas comuns dispostas a mudar alguma coisa no meu no seu, no nosso Universo.