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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Anima Mundi



Por que não assinar?
Porque não é meu. Me destituo do poder que me foi conferido pela máxima do individualismo. Não é meu, é nosso. Tudo que sei, tudo que sou, tudo que posso ser foi e é constituído por essa realidade, apenas me torno um catalisador das suas mensagens, nada me pertence, e do todo me aposso. Mas a posse é passageira, e tem que ser, caso contrário como poderia Eu vir a ser? Sempre sendo o que já fui não dá para ser o novo, pois estarei ainda sendo o velho.
Como poderia eu me julgar dono do corpo que me serve de veículo em comunicação com todo o meio, desde o tato até o olfato, como posso eu me admitir apenas essa carne que no seu -não meu- processo natural irá se inanimar? Não sou o que habita um corpo, pois este se faz do outro quando é usado, seja para a satisfação pelo prazer, pela vaidade, adoração ou amabilidade, questões que suscitam sensações no mesmo que tem a intenção. O indivíduo se faz na intenção e se alimenta de seus reflexos que lhes são conferidos no meio. O corpo é símbolo, um dos maiores signos da humanidade, o símbolo é de quem o significa, ninguém daria conta de se apossar e ser todos os significados dos quais lhe é conferido, assim, simplesmente se é. Independente do que queiramos ser, do que fomos ou do que gostariam que fossemos. Já! Somos.
E o que impede de ser, ou melhor de vir a ser, se já somos corpo, afeto, sentimento, intelecto, mundo? Temos contratos pessoais, contratos sociais, e tudo mais quão for necessário para não se perder em meio a insegurança de estar solto em um vazio de certezas repleto de possibilidades. Formação e estruturação é algo de FUNDAMENTAL importância. E o que está além? Fundamente-se, estruture-se, se forme na melhor percepção possível do seu Eu.
Como se conhecer?
Como se reconhecer em si sem perceber o que está além de si?
Não o que lhe constituiu, mas o que lhe constitui, desde o corpo símbolo para si e para o outro, até o outro exemplo para si e para o todo do qual estamos todos inseridos.
Posso falar de tudo que posso considerar como meu, mas:
O que realmente me pertence?




É lindo não é? E é todo seu, mesmo que você não queira.

“Hipócritas, sabeis discernir a face do céu, e não conheceis os sinais dos tempos?”

terça-feira, 26 de julho de 2011

Nada é igual

Fala com a arte
Vê com a alma
Ouve as paredes
Sente a falta

Nada é igual ao que interessa

Vive os sonhos
Lembra as questões
Chora palavras
Erra a matéria

Nada é igual ao que interessa

Fala de arte
Ouve com a alma
Vê as paredes
Sente na falta

O que interessa: nada é igual

Vive de sonhos
Lembra as histórias
Canta canções
Gera matéria

O que interessa: nada é igual

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O Mensageiro do Sétimo Raio VI

Mutatis Mutandis

Acordou sem se espreguiçar naquela manhã, tudo realmente fazia sentido. Dois dos seus já era suficiente para que mais pudessem se alinhar a aquela percepção. Imagética sem mil cores se fazia presente de forma consciente. Esplendor se avigorava no peito de quem já sabia o que ia acontecer naquela noite. Seguir foi idéia de astro que já havia decidido sua consumação antes mesmo de nascer. Relógio de algibeira foi pontual, ao acreditar, e sendo assim o encontro foi realizado.
Quatro cabeças realizaram o encontro da coroa, espiritualidade e meditação foram o que os levou a conectar os vossos corações. Agnóste não entendia bem o que fazia ali, mas sentia que aquelas pessoas tinham uma maneira interessante de ver as coisas, a idade não cabia mais em ser questão e a forma era de franqueza e humor. Trunfus foi o primeiro a se colocar em pé de igualdade, estava cansado de ter tantas sacadas e ninguém lhe perceber, compreendeu que não podia fazer com que os outros o vissem, mas faria questão de mostrar que ele estava ali, duas vezes mais humilde, mas com a mesma perspicácia e sinceridade que lhe era de costume.
Outros seres, de potencial adormecido, assistiam ao espetáculo que Bardut fazia com a sua harpa. A mensagem convidava a existir para sempre em um eterno agora onde muitas canções eram apenas uma e essa mesma uma conseguia ser muitas sem se distorce e sempre a se complementar. A alquimia era geral, o sinal saiu do casulo e voou deixando a impressão para os que ainda não tinham percebido a transformação.
A notícia se espalhou como fogo, o vento fazia a sua parte em dar a direção mais adequada. A fumaça era vista a quilômetros por aqueles que sabiam que estava acontecendo alguma coisa, mas não sabiam o quê. Os que não estavam atentos para a nova semeadura choravam de desespero por pensar não estar preparados para aquilo que estava a acontecer sem perceber que bem embaixo dos seus pés suas lágrimas faziam brotar uma perspectiva própria de um novo amanhã.
Guebreu sorriu com o canto da boca e suas guelras vibraram em êxtase, algo de uma grandiosidade sem tamanho estava se formando e ele sabia pela sintonia que havia feito com Zadkiel que o primeiro passo havia sido dado. Hydia repousava em um mantra solene saudando a ocasião, Neti, que nesse momento se fazia onipresente, regozijava ao sentir as conexões energéticas que se expandiam por multi-dimensões alcançando com ondas perenes o sábio Harrael.
Utopia e realidade se desvaneciam em um debate entre animais que se diziam superiores por domarem o raciocínio lógico coerente dominador: - Sim! E se tudo ficar lindo e maravilhoso para todos? E depois?
Depois?
Só depois que chegar.       


O Mensageiro do Sétimo Raio I
O Mensageiro do Sétimo Raio II
O Mensageiro do Sétimo Raio III
O Mensageiro do Sétimo Raio IV

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Para os seguidores da Dúvida





Khronos perguntou a Kairos: Quanto tempo o Kairos tem?
Ao contrário do que muitos pensam, o ato de duvidar é muito importante. Questionar atitudes, estudar o oculto, estar insatisfeito com algo ou alguma coisa que lhe provoca curiosidade, tudo isso é natural, pois somos seres em busca de significados. Algo a ser questionado, inclusive, é o porquê da aceitação exacerbada a um meio que insiste em produzir pessoas idiotizadas, um sistema sem pena nem consciência que aliena e condensa o indivíduo em uma idéia de imparcialidade que simplesmente não existe.
Quem não está disposto a mudar está muito bem acomodado ao lugar do qual lhe foi imposto pelo destino. Arde em um inferno de angustias aquele que não teve oportunidade de ser instruído a ir além da ignorância. Sabe por quê? Foi a vida quem quis, não adianta se rebelar. Alienação amoral se instala no peito daquele que consegue viver sem muito conforto e com tão pouca notoriedade.
Por que existir? Essa talvez seja a mais ignóbil das perguntas. Dá preguiça só de pensar que alguém pode perguntar isso. Eu me vejo preso em tantas amarras e com tão pouca competência para fazer as coisas da vida seja no trabalho, nos sentimentos ou na escola e ainda vem um “não sei quem-zinho lá das quantas” me perguntar o porquê de existir.
Responder essa pergunta é muito simples: “Não existe um porquê para o existir.” A maioria das pessoas corre dessa pergunta pois não são capazes de aceitar tal fato. Você pode até procurar, irá bater em várias portas, da explicação mais benevolente e hipócrita até a mais mesquinha e individualista, mas no final só uma pessoa pode dar significado a vida. Você mesmo.


Para aqueles que duvidam de si mesmos deveriam começar a acreditar, pois mensageiros chegarão para deixar a mensagem. Lugares que não estão preparados para a mensagem irão rechaçar o mensageiro. Os mensageiros chegam certos de que têm uma missão e, comumente, saem satisfeitos com sua atuação. Os mensageiros vêm e vão. Quando aceitos trazem com a aceitação uma nova forma de ver as coisas, quando rejeitados morrem defendendo seus ideais, e em alguns casos é marginalizado pela má aceitação do outro por uma nova realidade.
Portanto, caberá seguir a onda de desejos incontroláveis sem se quer ouvir ao seu próprio chamado.
Viverá em prol de uma circunstância falha, com medo de visualizar o seu eu interior.
Saberá o momento certo de agir diante das dificuldades, mas negará seu potencial.
Criará novas formas de chamar a atenção para si em prol do outro.
Respeitará a todos e principalmente a si mesmo para que desenvolva qualidades.
Hesitará em compartilhar com o próximo por aversão a retaliação.
Colocará a cara a tapa consciente de que o retorno é certo e a longo prazo.
Morrerá a cada noite e nascerá a cada dia pronto a viver de outras formas.
Duvidará de muitas verdades, mas se identificará com a sua.  

Kairos respondeu a Khronos: O Kairos tem tanto tempo quanto Khronos tempo tem.
   
Duvidar é para quem não confia em si, medo da retaliação é forte, a apercepção de que o mesmo martelo que esmigalha o vidro tempera o aço condena mais um encosto. Duvidar é importante, mas quem fica na dúvida acaba não escolhendo nada. Você pode escolher acreditar, primeiramente em si mesmo.
 
Me parece agora que eles perderam o controle
Nessa corrida de ratos, sei muito bem quem tá na pole
Se agride ou agrada
O seu lugar no grid de largada não muda nada
Sobrevoe num vôo o zôo onde você sobrevive
Observe a ordem natural das coisas em declive
Inclusive eu tive lá, e não te vi lá
Frente a frente, lado a lado
Tête-à-tête, com os mestres das marionetes
Vê se assimila
Quem orquestra, quem adestra e quem tem a chave-mestra
Quem dilata sua pupila, quem nos aniquila
From hell do céu
Quebrar barreiras, comunicação na torre de babel
Interferência na freqüência
Acordar primeiro pra realizar o sonho é a ciência
Eu disparo e paro no infinito
Reabasteço, sigo em frente, é bonito
Viajo pelo espaço e o que eu vejo eu deixo escrito
E só Jah Jah pode me dar um veredicto
Uns desistem, outros ficam, alguns desistem e ficam
Só espaço físico ocupam e indicam
A tragicomédia de quem não tem da própria existência as rédeas
Cérebros de férias, vários vagabundos festejando o fim do mundo
Enquanto isso, o cidadão comum se sente ridículo
Não encontra paz no versículo, batendo de porta em porta
Debaixo do braço um currículo, família inteira no cubículo
Depende do Ecad, depende do Green Card
Acorda cedo e dorme tarde, completando o círculo vicioso, perigoso
Que nem garimpar na reserva dos Cinta-larga
Black Alien canta a vida amarga através do Rap e do Ragga
Contra todas as pragas
Sem medo de quem, que nem um cão, morde a mão que afaga
Eu disparo e paro no infinito
Reabasteço, sigo em frente, é bonito
Viajo pelo espaço e o que eu vejo eu deixo escrito
E só Jah Jah pode me dar um veredicto
Enquanto o mundo muda pela música
Preparo poesia de aço na minha siderúrgica
Um hábito noturno inspirado em Saturno
E seus anéis em torno, não há retorno
Eu sempre estive aqui, no verbo cru que nem sashimi
A verdade virá à tona pelo parto, infarto no miocárdio
Revolução não será televisionada nem virá pelo rádio
Metal inox, instrumental e mental na jukebox
Golpe baixo, perde ponto, é que nem no boxe
Prepare a esquiva, informação real pro povo à deriva
Na terra da terra improdutiva

terça-feira, 12 de abril de 2011

Ser e não ser, fecho a questão.


Vivemos em mundo caótico, assolado por belezas, venturas e desventuras. Poderíamos ver o mundo de uma forma muito mais agradável, mas temos em nosso encalço muitos meios pessimistas de encarar a vida e praticamente é quase inviável viver sem ser influenciado por eles.
Foram criadas muitas estratégias sutis para fazer frente à propaganda negativa desse mundo envolto de horror e ódio, o mundo dos psicopatas mal compreendidos, dos monstros com uma história de vida sofrida prontos para explodir ao seu lado. O mundo do dualismo ilegítimo; do sensacionalismo caro, que não vislumbra as conseqüências dos seus atos; da tragédia tola, que não teve assistência da escuta e do direcionamento. O mundo do dá ou desce, do amor de cinema e do sexo carnaval, do sonhador babaca e do materialista comprometido, das idéias desvairadas e das ações desconexas. Sim! Mundo de impunidades e defeitos.
Cedo ou tarde a conseqüência chega para redimir os atos ambíguos, o defeito está naquele que quer ver o belo e trabalha meio incerto. Defeito em querer ver tudo polido, sem erro.  
Admite o contexto, mas em verdade nega o processo. O sofrimento faz parte da estadia. Quer o belo? Aceite o contrário à decência ou à conveniência.
Aceitação não tem que caber em conformismo e isso é regra básica para mudar. Dentre outras regras está o incomodar, pois só gritamos com o que nos tira de nosso estado de letargia. Nossa hipnose coletiva nos leva a viver em um mundo de desexistência, onde tudo existe, menos o eu. A opinião própria perde seu valor diante de tantas censuras. Tudo é feito como manda o carteado, nada é somado ao indivíduo que segue a métrica perfeita. O adequado aos parâmetros exigidos pela sociedade também não tem nada a acrescentar àquele que pode vislumbrar mil possibilidades além do que se limita a idéia do contexto adequado.
Insegurança, apego, medo, insatisfação, competitividade, mediocridade. As coisas são como dizem que deve ser ou como você diz que é.  
O contador de estórias cria novas realidades ao não se satisfazer com uma realidade imposta. Ao se deparar com seus ideais vive em dois contextos, afinal quem poderia desfazer uma realidade que você crê como real? Só você mesmo. Não precisa criar uma nova aventura imaginária contador...  Sua vida já é uma história.  Você cria em cada nova tela chamada dia. Faça sua arte. Não se submeta, e quanto a angustia, não repare não, são dois lados da mesma moeda.
Ser ou não ser, bela questão. Chegamos a um ponto onde o “ou” não cabe mais na história, esse negócio de “ser ou não ser” resume tudo em dois pólos que se limitam em oposição. Vamos acrescentar. O princípio da incerteza nos traz à reflexão sobre as coisas que são sem saber que são e não são sem saber que podem ser. Estamos vivos e parece que não estamos vivos, por estar vivos não estamos mortos, mas parece que excluímos a possibilidade de um dia morrer. Bate na madeira. Vivo ou morto? Pense bem, afinal não se pode matar o que já está morto.
Ser e não ser, fecho a questão.
Por enquanto...

Uma nova revelação, você sempre soube mas ainda não tinha compreendido
Uma nova humanização, a nova geração, passando de mono pra estéreo, em vários tons, é sério, é sério
O microfone, meu megafone, tome emprestado um pouco da minha energia, tem sobrando pra todos os lados
Força importante, uma força a mais pra aturar a pressão que tenta esmagar sua mente contra a parede chapiscada da ilusão
Enxergando a realidade por de trás, depois da curva
Apesar da visão turva e obscura da humanidade em geral
Miopia espiritual, pegou um, pegou geral
Dignidade, simplicidade, infelizmente se tornaram artigos de luxo na atualidade
Falta de vontade, disparidade entre discurso e atitude são maiores pilares dessa situação
Escalafobética, patética, na qual nos metemos, pela qual vivemos e morremos
Algumas vezes mais, pra aprender, reconhecer a todos como irmãos, uns mais evoluídos, outros não… mas todos com sua missão
(Refrão)
UMA NOVA VISÃO, É(4X)
O microfone, meu megafone, passando de mono pra estéreo a sua compreensão
Na real, discutir sobre o fim da violência é quase que total perda de tempo, paleativo, nem o sujeito mais socialmente ativo irá conseguir mudanças minimamente palpáveis
Praticamente apenas praticará o esporte mais popular da humanidade, jogar palavras ao léu, jogar palavras ao vento
Nada muda, enquanto não mudarem os valores na raiz de todos, eu disse todos, exploradores e explorados, violentadores e violentados, tudo é meio a meio, tudo caminha lado-a-lado
Não sei se me entende, mas o que eu digo o que a maioria, que ficasse nesse lugar faria o mesmo, quando tem uma oportunidade ou faz mesmo
Mesmo que em escala menor, microcosmo, macrocosmo, porém a intenção que movimenta a ação é sempre a mesma
Cadeia alimentar, lei da selva, o mais forte destroça, atropela, passa por cima do mais fraco
Consumismo, super valorização da matéria: o lado espiritual, ou seja, o real, ficou na miséria, a mesma que domina e povoa o planeta terra por sinal
Competição a todo custo, vitória a qualquer custo, estilo de vida fatal, que resultou nesse fiasco, nesse insulto que é hoje a humanidade, esse fracasso
"Faça o que eu falo, não faça o que eu faço"
Eu digo, isso pra mim é o primeiro passo pro que, em bom português, se chama hipocrisia, como é no alto clero, como é em Brasília
B black bota o dedo na ferida, antes de querer que a humanidade mude, que tal mudar um pouco nosso próprio ponto de vista?
REFRÃO
Paciência sem subserviência é a combinação mais poderosa desse mundo: somos realmente uma coisa só
O efeito bumerangue taí, provando, levando e trazendo o que há de melhor e pior
Plantamos e colhemos em outros cantos e aqui mesmo, portanto não seja dissimulado, você sabe o que está acontecendo
No centro de tudo, no centro da questão tá a preguiça, a falta de disposição pra mudar
Várias preguiças somadas e o mundo sente o efeito, mentalidade falida, morta viva, não tem jeito
Eu tô dizendo: é preciso quebrar as regras daqui, seguir as regras de lá, com confiança, sangue frio, sem se apavorar
Cada um no seu tempo, cada qual no seu caminho, estradas separadas seguindo pro mesmo objetivo. Destino ou não
Pelo menos no momento, uns mais rápidos, outros lentos, porém no subconsciente todos atentos
Formigamento ao ouvir o chamado, eu não invento nada, só transmito os recados, os fragmentos
Fábio, meu irmão, seguimos na missão, a cabeça erguida e no peito a batida que for, meu coração é exclusivo só do meu senhor
Estilo libertário, vivo nesse mundo mas não sou presidiário da matéria
Procuro me desvincular cada vez mais, desapegar, usar somente o necessário pra passar
Pois quando menos se espera, lá vem mais uma despedida do planeta terra…
REFRÃO.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O Mensageiro do Sétimo Raio V


Do Sutil a Franqueza


Zadkiel acordou agitado, tudo que ele havia passado parecia não passar de um sonho. Mas tudo foi tão real. Recapitulou aquele encontro mentalmente, impossível ter sido apenas um sonho.
Já passavam dias desde o encontro com Guebreu e desde então o mundo estava diferente, na verdade tudo parecia estar do mesmo jeito que estava antes, mas o olhar de Zadkiel havia mudado. Toda sua percepção sistematizada das coisas continuava a existir, mas estava em stand by. Tudo que antes era investigado, analisado, racionalizado, agora era simplismente sentido. Era como se as coisas se encaixassem em um balé de emoções, desde a raiva até a alegria, momentos e situações que agora se coloriam de maneira intença e sutil dentro de si.
Adormecer naquele dia tinha sido complicado, parecia que estava certo de que algo iria acontecer. Zadkiel sonhara que estava em uma espécie de Lua e na sua frente ele podia ver, enorme, o planeta Vênus. Sentiu duas presenças em sua companhia, uma logo ao seu lado que se assemelhava com a sua própria forma e outra a suas costas de forma incompreenssível, ou seja, aquilo não parecia com nada que estivesse na sua memória ou que pudesse ser descrito pelos seus sentidos. O ser que tinha uma melhor semelhança lhe falou sobre existir vida em Vênus, mas que a distância material era real e sendo assim um problema.
Acordar daquele sonho paraceu ter lhe dado um novo gás para racionalizar as coisas. Passar por tais experiências, ter uma visão expandida das coisas, sentir os seus sentimentos, conseguir integralizar a holisticidade do Universo, nada disso adiantava se apenas ele vislumbrasse esse viés. Essas idéias precisavam ser passadas, com certeza existiria um grupo afim de conhecer ou até mesmo  de se reconhecer nessa estória.
Existia vida no desconhecido, mas a distância material era real. Para aqueles que já tinham uma visão mais ampliada da energia e dos sentidos, era só questionar o que era a realidade e transcender ao contexto habitual. O mundo material é só mais uma forma de perceber  o Universo em suas multi-realidades. Mas para aqueles que viviam reduzidos as possibilidades de uma vida alienada em seu âmbito material, para eles em especial era complicado explicar como contactar outras formas de vida sem ter que usar uma espécie de aparelho, fazer perceber que todos já nascemos naturalmente sendo um aparelho receptor e transmissor de mensagens para vários meios de decodificação poderia fazer muitos desses aparelhos, que já estavam aquém de sua capacidade, pifar. Como então atingir a grande massa para fazer com que ela perceba seu verdadeiro potencial?
Conhecer a si mesmo, tarefa para toda a vida. Conhecer o desconhecido mais próximo, exercício para ser praticado na esquína. Viver em prol de uma ética pessoal que vise o respeito ao seu próprio eu e consequentemente ao outro deveria ser lei passada e repassada para todos. Para Zadkiel estava claro que era a hora de juntar as vidas no meio material para que processos já profetizados vinhessem a acontecer na prática. Tava na hora de ter um olhar de fora da caixa.  


O Mensageiro do Sétimo Raio I
O Mensageiro do Sétimo Raio II
O Mensageiro do Sétimo Raio III
O Mensageiro do Sétimo Raio IV


terça-feira, 22 de março de 2011

O Mensageiro do Sétimo Raio IV


A Permuta



Guebreu tinha feito um contato importante com um ser de outra dimensão, era de grande valia que outros soubessem desse encontro para que então os trabalhos começassem a ser efetivados. O que ele não sabia era que os trabalhos já tinham começado.
Em uma realidade onde o tempo não era sentido de forma linear, duas entidades pairavam sobre pradarias de uma concistência onírica, pois a simples intenção direcionada a um pensamento indesejado poderia moldar as formas da realidade vingente de maneira imprevisível, sendo assim, um lugar reservado apenas para aqueles que sabiam se diferenciar de seus próprios pensamentos.
Dessas entidades uma era profunda conhecedora das leis sagradas que regem o Universo e a Vida, a outra era especialista no auxílio do desenvolvimento  da consciência. Viviam principalmente entre a impermanência e os sonhos, Hidya mais na impermanência do que nos sonhos e Neti mais nos sonhos do que na impermanência, se encontrando vez ou outra para discutir assusntos relacionados ao crescimento espiritualista de alguns seres, comunidades ou planetas.
Zadikiel já era monitorado por Neti a algum tempo, pois Neti sempre deixou claro que Duvidar era para os incautos persistentes que uma hora ou outra teriam que seguir ou se decidir, porém Zadkiel estava além de Duvidar, quando ele trazia dentro de si a certeza arraigada a crença no que era intuído na alma e não perdido no pensar. Neti como auxiliador consciencial era responsável por uma gama de seres  elementais, materiais e de natureza etéreo sempre ouvindo suas questões e agindo quando fosse necessário. O encontro de seres com consciência de duas, ou mais, dimensões diferentes era corriqueiro, mas o encontro de Guebreu e Zadikiel era um dos encontros que trariam conscequências ao coletivo, assim sendo, marcavam a mudança de uma era.
Baseado nas leis do Universo, Hidya, compreendia que aquele contato era o começar de um movimento que acontecia na natureza, mas com poucos focos e muita resistência naquela realidade. Tendo apenas um ser com o intuito de propagar aquela percepção era suficiente para que ouvesse uma audiência com Neti, nem antes, nem depois, nem durante, nem além, apenas ali, futuro embalado de presente.
-Veja só –dizia Hidya- em tão poucas estrelas está o ímpeto da vida de questionar planetas que lhe rodeiam. Normalmente a ligação vai de Sol a Sol.
-Lugar de ator é no palco, a platéia dificilmente conversará com o personagem. É desacreditado aquele papel, “Ele não existe!”, dizem, é chamado de máscara.
-Independente do lugar que tenha, exerce atração, e quanto a isso, não há argumentação.
-O sofrimento é perene e o bom personagem sofre a atuação vazia, sem caráter. O que é sentido é o que é sentido, diferente disso é farsa e todo mundo nota. Vaidade e soberba, manipulação com intenção escondida.
-O Sol que é Sol deixa bem claro sua intenção, na farça não existe essa possibilidade, quando não está satisfeito sabe mostrar muito bem, e quando amadurece muda de cor.
-Não diferencia personagem da alma, a aura –de fato- reflete seu amadurecimento.
-Chama que cor?
-A violeta passou, agora emana vermelho e dourado.
-Que os planetas tenham  força e paciência nessa jornada.
-Em breve não haverá nem mais cortinas, o palco será de todos.
-Todos como um Sol.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Pra dizer A Verdade


Éramos felizes com o colonialismo, chegando, se comunicando, mandando e matando quem discordasse.  Ai agora vem Stephen Hawking pra dizer que se existe vida extraterrestre e se ela viesse aqui para a Terra, eles fariam igual como fizemos com a nossa ética super desenvolvida. Colonizariam o planeta.
Organismo do filo protobactéria e família Halomonadaceae foi descoberto em um lago na Califórnia e batizado de GFAJ-1. O arsênio é o elemento químico que lhe permite a vida, um elemento tóxico e letal para todas as formas de vidas até hoje conhecidas no planeta Terra.
 O que se revela é que: não conhecemos as tantas formas de vida que possam existir por aí, quem dirá as suas formas de governo e as suas estratégias de contato com o desconhecido. Cultura do medo? Isso deve ser especialidade dos seres humanos. Com a teoria do darwinismo social, de Hebert Spencer, que gabava a Europa de ser o ápice do desenvolvimento das sociedades humanas, colocando a África e a Ásia em um posto de civilizações “infantis” e “primitivas”. E ainda achando quem defendesse que o repasse dos “desenvolvidos” conceitos da cultura européia aos afro-asiáticos representava “o fardo do homem branco” no mundo. Alguém perguntou se eles queriam essa tal cultura desenvolvida?
Cultura desenvolvida, a crença monoteísta mais politeísta que já poderia ter existido, os santos que o digam. O cristianismo pagão que usa como símbolo um animal morto e crucificado. Que ritual! O evangelho sendo usado para dominar multidões ignorantes de seu próprio potencial. Dessa maneira não poderia durar mais que uma média de dois mil anos para se tornar desacreditada tal crença malfadada. De algo ela serviu: já sabemos em quê não acreditar.
Então acreditemos na ciência? Na razão? Ai é que tá. Centenas de aves morreram em um lugar do continente das Américas, suspeitam que os fogos de artifício tenham acordado os pássaros que não possuíam uma visão adequada para a noite, se bateram em árvores, postes e tudo que possa ter vindo pela sua frente. Estão tentando desvendar o mistério. Uma cabra nasceu com duas cabeças, respectivamente quatro olhos, três orelhas e passa bem. O que significa isso? Problema genético é claro. Essa nossa mania de entender e tentar descomplicar as coisas por esse viés racional burro ainda vai nos levar a algum lugar. Provavelmente eu esteja falando de mim mesmo que deveria crer que não sou ninguém e não significo nada para o contexto geral, mas ainda assim penso. E foi pensando que cheguei a uma conclusão de fácil acesso.
Foi lutando contra a razão e me perdendo em um vão que não diferencia o gosto da necessidade de ser o que se é que eu refleti. Nascido na cultura vigente devo me subornar a ela por acreditar que faço parte dela? E se acredito e comprovo com um olhar não muito exigente que, antes de fazer parte de tal cultura pertenço a uma força muito maior e anciã perante aos caprichos desenfreados da nossa civilização que pouco sabe aproveitar a sabedoria de sua matriarca a Natureza? Minha natureza não exige nada de si mesma, assim como o Sol não exige nada da Terra para iluminá-la ou o solo não exige nada da planta para lhe dar os nutrientes e uma infindável gama de outros exemplos para comprovar que a natureza  não exige nada da natureza.
Por que eu, ser natural, tenho que exigir de mim mesmo um esforço que não é natural a mim?
Assim o organismo entra em colapso e tudo que poderia ser não é. Por conta de levar as coisas todas na base do cálculo, da masturbação racional.
Se fossemos realmente racionais já teríamos percebido que algumas coisas não devem ser questionadas mas sim sentidas. Seria o supra-sumo da racionalidade, capaz de ser humilde suficiente para saber que tudo tem seu lugar e sua hora. Adoro metáforas, odeio doenças e ainda questiono o meu amor pela humanidade. Desistir não é uma opção. Mas por que será que aparecem tantas doenças de diferentes tipos? Reflexologia coletiva? Dengue? Lixo? SIDA? Sexo sem significado? Meningite? Aglomeração de multidões? O que a natureza quer dizer com isso?
Sinais do Universo.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Psicoprofilaxia, a nova psicologia e o futuro que nos espera. Uma metacomunicação do saber.

A vida só se compreende mediante um retorno ao passado, mas só se vive para diante.” Soren Kierkegaard

Os pensadores antigos discutiam, muitas vezes, questões que estavam além de sua época, pois procuravam dentro de si resposta para as mais variadas perguntas. Os interesses, ambições e objetivos sempre foram os mesmos em discurso, ao bem da ciência e da sociedade, porém a manipulação e a alienação sempre fizeram parte do mesmo contexto.
A psicologia mentalista ganhou espaço em meio à sociedade a partir das percepções do médico vienense Sigmund Freud que fora treinado a diagnosticar e prognosticar seus pacientes, até aparecer os primeiros casos de somatização. Devia ser frustrante para os médicos da época não saber diagnosticar tais pacientes que se queixavam de sintomas em lugares diversos sem relação ou sentido aparente. Freud foi além escutando e tratando seus pacientes de forma diferenciada, mas ele ainda era um médico programado para decodificar patologias e prescrever remédios e/ou atitudes curativas.
Os filósofos gregos –notadamente Sócrates, Platão e Aristóteles- afirmavam ser o distúrbio mental resultante de processos de pensamento desordenados. Prescreviam o método persuasivo de cura por meio da força das palavras (SHUTZ; SHUTZ, 2006, p.349).
A medicina é uma área do conhecimento que, de forma generalista, tem como objetivo a conservação e restauração da saúde. Freud fez um belo casamento entre medicina e filosofia para criar a psicanálise que enfrentou críticas severas por não atender todas as exigências acadêmicas para ser aceita como uma ciência natural.
A Psicologia se desenvolveu em diversas linhas, e todas traziam a herança de tratar a patologia, que não pode ser negada e precisa da devida atenção. A questão é que estamos fazendo, ensinando e aprendendo uma psicologia neurótica que está quase sempre, anuindo com a psiquiatria em busca de novas psicopatologias, procurando padrões em sintomas que permitam enquadrar os indivíduos. Que entendamos e discutamos o CID 10 e o DSM IV, mas daí a perder uma possível originalidade por vislumbrar outro viés é se render a praticidade e falta de comprometimento com a verdade, sintoma da pós-modernidade. Não são as doenças que definem os indivíduos, mas sim os indivíduos que definem as doenças. Bohoslavsky (1977) explica que a psicoprofilaxia pode ser entendida como toda atividade que, a partir de um plano de análise possa empregar recursos e técnicas que tendam ao desenvolvimento das potencialidades do ser humano, seu amadurecimento como indivíduo e, finalmente, sua felicidade. Ele ainda enfatiza:
... seria conveniente que além da função psicoterapêutica, os psicólogos compreendessem a enorme diversidade de campos que requerem nossos serviços profissionais, e que somente nós podemos atender (BOHOLAVSKY,1977, p.11)
O psicólogo norte americano John Shotter cita Popper em seu artigo “O que é ser humano” ressaltando a distinção que ele fez do mundo natural e do mundo cultural. Shotter explica que existe o mundo natural, o mundo dos estados psicológicos das pessoas, e as partes do mundo natural que são produtos da mente humana, essas definições são chamadas de mundos 1, 2 e 3, e teriam surgido exatamente nessa ordem segundo Popper. Assim temos na sequência a natureza, o homem e a cultura, sendo que desses três Popper dá uma atenção especial a cultura quando ele cita:
Um dia teremos que revolucionar a psicologia ao olharmos para a mente humana como um órgão para interagir com os objetos do terceiro mundo; para entendê-los, contribuir para eles, participar neles; e para fazermos com que tenham importância no primeiro mundo. (POPPER, 1972 p.156).
Então vemos em Popper um utopista que visa uma realidade onde o homem se relacionará com a cultura para entendê-la, produzi-la, participar desta e fazer tudo isso de forma ecológica. O interessante dessa percepção é que essa revolução já é explícita em outras áreas do saber, pois como Bené Fonteles cita em seu manifesto “Antes arte do que tarde” escrito para a ocasião do Encontro Mundial Arte e Identidade Cultural na Construção de um Mundo Solidário/ São Paulo, abril-maio de 2001:
... eu desejo uma sabedoria que abandone a pretensão acadêmica de querer salvar o Mundo com o projeto inútil do acúmulo do conhecimento, em vez de querer a redenção da Terra pela nudez imensa da simplicidade do saber popular e natural.
O que Popper e Bené oferecem é psicoprofilaxia, pois é estar no mundo e para o mundo sem necessariamente responder as exigências massificadas de um contexto pós-modernista onde o ter é mais importante que o ser, e isso não se limita apenas a uma concepção monetária ou materialista, estas formas de ter, além do conhecimento, entre outras categorias, se interelacionam com o status que traz arraigado em si uma infeliz hierarquia cultural.
Falando de revolução não poderia deixar de citar um grande ícone do cinema brasileiro que até hoje está além do nosso tempo e que era o que era muito provavelmente pela atenção que ele dava a lógica dos seus sentimentos. O antropólogo Darcy Ribeiro discursou no enterro de Glauber Rocha, em 1981 o seguinte:
Sua breve vida. Sem pele, com a carne exposta, capaz de gozo decerto num é Glauber!? Mas mais capaz de dor, da nossa dor. Uma vez, eu não vou esquecer nunca, Glauber passou a manhã abraçado comigo chorando, chorando, chorando compulsivamente. Eu custei a entender. Ninguém entendia que Glauber chorava a dor que nós devíamos chorar, a dor de todos os brasileiros. O Glauber chorava as crianças com fome, o Glauber chorava esse país que não deu certo, o Glauber chorava a brutalidade, o Glauber chorava a estupidez, a mediocridade, a tortura e não suportava, chorava, chorava, chorava. Os filmes do Glauber são isso, é um lamento, é um grito, é um berro.
Essa herança que fica de Glauber. O que fica de Glauber para nós: a herança de sua indignação, ele foi o mais indignado de nós, indignado com o mundo tal qual é, assim, indignado porque mais que nós também Glauber podia ser o mundo que podia ser. Que vai ser Glauber, que há de ser.
Glauber viveu entre a esperança e o desespero, como um pendulo, louco.
O cineasta Silvio Tendler deixa o registro: “Cada um tem um Glauber dentro de si”.
E me referindo a esse último trecho do discurso de Darcy, divago. Ainda bem que temos a esperança para contrapor o desespero, porém, se não fosse o desespero talvez não precisássemos da esperança. Dizem que a esperança é a última que morre. Depois que ela morrer certamente teremos coisas mais importantes a tratar.
Übermensch, psicoprofilaxia é educar, é – como diria a nova psicologia que Shotter cita- aumentar os poderes pessoais de ação responsável, aumentar não apenas o controle das pessoas sobre outras, mas o controle sobre seus próprios modos de vida. Aceitando o inevitável e indo de encontro a si mesmo.



Referências:
BOHOSLAVSKY, R. Orientação Vocacional: A Estratégia Clínica. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
SHUTZ,D.P.; SHUTZ,S.E. Historia da Psicologia Moderna. São Paulo:Thomson, 2006.
TENDLER, S. Glauber o filme, labirinto do Brasil [Filme-DVD] Produção de Silvio Tendler. Rio de Janeiro. 2003 DVD/NTSC, 98min. cor. som.
ILÁRIO E. A Bioética frente ao irracionalismo na pós-modernidade. Bioética v. 9, n. 1, p. 13-23, 2001
SHOTTER J. O que é ser humano? Reconstructing Social Psychology. Harmondsworth: Penguin Books, pp.53-71, 1974

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Antes arte do que tarde.


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Eu pergunto: o que os artistas ditos contemporâneos, principalmente europeus e norte-americanos com sua arte para consumo estético, catastrófica e sem apontar esperanças, propõem para um projeto construtivo e humanista no século XXI?
Tenho sérias dúvidas sobre alguma resposta coerente e substancial quando visito as exposições e vejo apenas um deserto de idéias e ideais. Viajo só e felizmente por este país que antropofagicamente por natureza, e, infelizmente por ignorância e insegurança, come com exagerada gula, sardinhas enlatadas da cultura oficial: mídias e curadorias internacionais. E, para fomentar inclusões e aprovações de projetos, precisa fazer mais lobby do que vivenciar um verdadeiro processo criativo.
Este também é o Brasil da política dos subsídios econômicos incentivados pela cultura quase mercadológica do seu Ministério da Cultura e não, o da poética dos substratos culturais vindos da dinâmica criadora de seu povo.
É um país em que seus agentes sensíveis, os artistas, esquecem de cantar sua aldeia, e, por assim não interpretá-la, questioná-la e argüí-la, deixam de ser universais. Macaqueando a sintaxe globalizada e uniformizada, eles produzem obras para solitários ambientes museológicos, em vez de gerarem solidárias e responsáveis proposições e transgressões da realidade por meio do re-encantamento poético do humano e de seu mundo.
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Muitos artistas interessantes caíram nessa armadilha, até mesmo os que ainda dialogavam experimentalmente com a Vida através da Arte e não da pressa voraz do mercado.
Aonde está uma Arte feita com as necessidades do espírito e a vontade visceral do prazer e não com as próprias vísceras, excrementos e outros elementos brutos para satisfazer a mera "sensation"? Para que chamar mais atenção da mídia, de colecionadores e "curadores" esdrúxulos e oportunistas do que da nossa necessidade real de educar a sensibilidade? Por que então não investir em afinar sensorialmente a consciência sensível de um público carente de agentes transformadores e transmutadores da realidade?
É precioso ler com atenção "O conceito ampliado de Arte" de Joseph Beuys, no qual referindo-se ao "princípio criativo", exige uma melhor forma de pensar, acuidade no sentir e verdadeiros critérios estéticos para nortear uma obra de Arte e seu papel na comunidade. E para isso o artista não precisa ter só uma inteligência criativa, é também necessário ter princípios filosóficos, éticos e espirituais.
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Albert Einstein não estava brincando com o acaso quando disse que "Deus não joga dados". Até alguns executivos já sabem disso e percebem as extensões sutis e infinitas do despertar para uma mente não só ocasional e objetiva, mas consciente de um projeto incondicional de libertação. Por isso meditam e lêem livros sobre a nova ética escritos por Tenzin Gyatso, o Dalai Lama, Fritjof Capra ou Leonardo Boff. Enquanto isso, muitos "artistas ingênuos" e desinformados sobre o novo paradigma, lêem teorias acadêmicas sobre o vazio do vazio. Pior, pensam e agem com o egoísmo de uma arte individualista, esteticista, antiecológica e perversa em sua utilização da matéria orgânica. É preciso perguntar a pedra ou a uma árvore – como faziam nossos ancestrais do oriente – para saber o que elas querem ser, e não impor uma forma a suas matérias luminosas e inteligentes. Como artistas, somos também alquimistas e nos cabe recordar o que custou a Van Gogh o fato de descobrir que sua vida era a Arte, e, que a matéria de sua pintura era luz e energia.
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- Que arte é essa onde o "curador", produtor e atravessadores culturais, são mais importantes do que a concepção e o sacro-ofício dos artistas?
Eu insisto: que espécie de seres são estes que deixam-se guiar mais por teorias estéticas pensadas na academia do que por suas intuições e vivências solidárias e responsáveis com o povo do seu país, a Natureza e a universalidade do planeta?
– Que arte é essa que agora não mais procura o "exercício experimental da liberdade" como nos desejava Mário Pedrosa e que não mais transgredindo o sistema, ainda se põe respaldada pela mídia e pela academia a serviço dos vícios da indústria do entretenimento cultural?
Para que serve esta arte: Que vira fetiche e curiosidade quantitativa do jornalismo em vez de inspiração privilegiada para o exercício sadio da crítica nos caderno culturais? Que é mero resultado fácil de mercado e "produto cultural" em vez de engrandecimento, instrumento de evolução da inteligência subjetiva e ascensão do espírito humano?
Portanto, eu quero como um revolucionário embora tardio, sacudir nossas atitudes viciadas em projetos de vida aprovados pela Lei de Incentivo à Cultura. E, por mendigarmos patrocínio nas empresas, que aliviam seu ônus econômico e às vezes até sua consciência pelo que prejudicam à saúde humana ou exploram e poluem indevidamente os recursos naturais. Tudo isso, muitas vezes para realizar mais uma exposição vazia, mais um cd sem amor à música, mais um teatro absurdo sem serviço à consciência planetária ou mais um balé para dançar narciso.
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Por isso, eu desejo uma sabedoria que abandone a pretensão acadêmica de querer salvar o Mundo com o projeto inútil do acúmulo do conhecimento, em vez de querer a redenção da Terra pela nudez imensa da simplicidade do saber popular e natural.
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É preciso exercitar com humildade o poder precioso de nosso livre-arbítrio na responsabilidade solidária com a Vida. Ou, todos faremos papel de passivas vítimas da barbárie globalizada.
Tudo o que nos resta é recuperar a dignidade de ser artista e estar habitado pela grandeza de se expressar como um cidadão incomum, indignado com a miséria que cria o estado de sobrevivência para os sem terra e esperança, os sem teto e alegria.
Agora é a hora dos ARTIVISTAS, mixagem de ativista político com o artista poético, e vice-versa, despertarem o acomodado brasileiro que dorme no berço esplêndido da inconsciência nacional.
O ARTIVISTA é aquele que vai dignificar sua escolha de ter vindo neste momento ao planeta e ao lembrar-se da sua Origem, exigir o melhor de sua herança Divina: a felicidade.
Nós merecemos uma Arte que nos inspire a um projeto mais humano e pacífico em nossa passagem de aprendizes da Terra.


Trechos do texto de: BENÉ FONTELES, Coordenador do "MOVIMENTO ARTISTAS PELA NATUREZA"
Você poderá encontrar esse texto na íntegra em: http://www.imediata.com/sambaqui/Bene/index.html

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O começo do fim ou o fim do começo?


Porque devemos trabalhar cinco dias e descansar dois? Sem falar que tem gente por aí que trabalha seis vezes na semana e descansa um. Será que viver da terra, isso mesmo, da agricultura, nos daria tanto trabalho? -Vai pro mato vagabundo! Eu até iria. Mas em toda minha vida ninguém nunca me ensinou agronomia, com ela em meu currículo quem sabe eu soubesse algumas técnicas de cultivo. Nem meus familiares, mesmo vindos do interior, nem a Educação me deram se quer uma base para isso. Sabe por que meus familiares não o fizeram? Por causa da cultura que eles consomem. Sabe por que a Educação não o fez? Interesse. Por que diabos vão ensinar a população a plantar se queremos –teoricamente e praticamente- que todos comprem para os impostos alimentarem o Estado (cheio de políticos extremamente egoístas)?
Eu até gostaria de plantar, mas é complicado fazer uma cisão tão radical na forma que me ensinaram a viver. Condicionamento não é brincadeira. E essa forma de viver na verdade não é de todo pior, porém tem algo que me incomoda profundamente. Porque corremos tanto? Para onde estamos correndo? Correndo para viver ou para morrer? Espero que seja para morrer, pois se isso for viver acho que alguém tem que rever está questão. Pensando nesse assunto eu me pego em um ponto: Será que sou eu que sou preguiçoso ou as pessoas é que estão acostumadas a se acostumar com as coisas? Estresse é necessário para os músculos, por exemplo, para que haja desenvolvimento. Mas não é novidade que em demasia causa uma sobrecarga que muitas vezes é descarregada em ataques de fúria, descontrole, desamparo, em somatizações e tantos outros malefícios que nós já conhecemos, por ter lido ou por ter passado por isso.
A questão é que já está tudo pronto, pronto para consumir. Comida no supermercado, locomoção boa tem que ser de carro e o combustível, claro, se encontra no posto. A televisão já mostra a realidade, ela é cruel todo santo dia, e eu sei que quem rouba na rua é pobre fela-da-puta que tem que se fudê mesmo na mão da polícia e mostrar em programa ao meio dia e ladrão que rouba de terno é... o Brasil vai sediar a copa de 2014 ou a bolsa caiu e por ai vai. Falando em bolsa, o que é isso mesmo? Nada demais, só fala da cotação (?) da moeda que deve estar subindo ou então descendo, que nada, a gente acostuma com isso também, mesmo sem entender é importante saber.
De vez em quando eu fumo, de vez em quando eu bebo, de vez em quando faço esporte, de vez em quando eu riu, de vez em quando me reúno com os amigos, só não dá para trabalhar de vez em quando porque assim o sistema quebra. Será? Já virou necessidade básica, é quase como comer ou cagar. Inventaram de dividir o dia em vinte quatro horas. Genial. Metódico, sistemático, ordenado, organizado. Mas e o tempo de cada um? Individualidade, isso existe ou todos devemos seguir as mesmas regras e condições? Pera ae! Assim você quer implantar o caos. O novo da medo não dá?
Tiraram os africanos de sua terra natal, acusaram os índios de preguiça por não quererem fazer parte do sistema imposto. Mas parece que não se tem escolha quando a base é feita através de um processo exploratório. O negocio é se acostumar.         
    

video

Deixa o menino jogar

Natiruts

O valor de um amor não se pode comprarOnde estará a fonte que esconde a vida
Raio de sol nascente brotando a semente
Os anos passam sem parar
E não vemos uma solução
Só vemos promessas de um futuro que não passa de ilusão
E a esperança do povo vem da humildade de seus corações,
Que jogam suas vidas seu destino nas garras de famintos leões
Deixa o menino jogar ô iaiá
Deixa o menino jogar ô iaiá
Deixa o menino aprender ô iaiá
Que a saúde do povo daqui
É o medo dos homens de lá
A consciência do povo daqui
É o medo dos homens de lá
A sabedoria do povo daqui
É o medo dos homens de lá
O valor de um amor não se pode comprarOnde estará a fonte que esconde a vida
Raio de sol nascente brotando a semente
Sinhá me diz porque é que o menino chorou
Quando chegou em casa e num canto escuro encontrou
A sua princesa e o moleque fruto desse amor
Chorando de fome sem saber quem o escravizou
Deixa o menino jogar ô iaiá
Deixa o menino jogar ô iaiá
Deixa o menino aprender ô iaiá
Que a saúde do povo daqui
É o medo dos homens de lá
A consciência do povo daqui
É o medo dos homens de lá
Sabedoria do povo daqui
É o medo dos homens de lá

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O Mensageiro do Sétimo Raio III



O encontro

Revigorado com o encontro que teve com Harrael, Guebreu continuou a se movimentar sentindo cada contração muscular, tendo certeza de que cada átomo do seu corpo vibrava para apenas um objetivo. Em sua cabeça o silêncio lhe permitia sentir para onde deveria ir. Quando não teve dúvidas que estava no lugar certo, teve um forte ímpeto de fazer uma coisa que não era aceita em sua cultura. Se colocar além da sua dimensão. Sem titubear Guebreu se pôs a sair lentamente do meio que lhe era familiar até as pradarias distantes que uniam o céu a terra como um só.
Por um breve instante ficou a observar aquele ser diferente naquele processo massante de emergir e submergir bem em sua frente, até que ele abriu os olhos. O estado de êxtase era recíproco e os dois se observaram tranquilamente até que Zadkiel ouviu em seus pensamentos: “O que deseja?” Tendo certeza de que aquilo foi uma comunicação telepática Zadikiel não tardou em pensar: “Fazer contato para entender por um outro viez o que é o universo.” Surpreso com  a profundidade da questão Guebreu incistiu: “O por quê do seu interesse é relevante para minha escolha.” Certo do que queria, Zadkiel respirou fundo fechou os olhos e com toda sua vontade expressou:
-Quero mostrar para as pessoas que o mundo é muito mais do que vivemos. Tenho muita vontade que os meus iguais percebam que existem coisas além do que os olhos podem ver, as mãos tocar, e ainda assim fazem diferença em nossa jornada. Como indívíduo e como coletivo.  
Guebreu sentiu o pensamento de Zadkiel vibrar por seu rosto identificando cada corda vocal em seu pulsar. A sinceridade daquela espécie selava a sua escolha diante da sua exigência. Guebreu estendeu a mão e a colocoua frente a testa de Zadkiel que por segundos experimentou uma sensação de completude que o fez se sentir tão importante quanto as estrelas, pelo simples fato de existir.
Foi como um despertar. Por ter uma prática de sistematizar suas idéias e sentimentos, imediatamente pensou nos átomos, que formavam moléculas, que compunham as células das quais faziam parte de um tecido que eram também os poros do organismo que ele era. Organismo. Quantos microorganismos co-existem comigo e dentro de mim? Imaginar que sair do útero foi trocar o líquido aminiótico por uma variedade de estímulos é algo inalcançável para alguns. O que diria pensar que agora faço parte de um imensso útero de forma aredondada com oceanos e continentes. Quão melhor for o meu desenvolvimento aqui, será mais agradável a minha última mutação em carne. Meu nascimento.



O Mensageiro do Sétimo Raio I
O Mensageiro do Sétimo Raio II
O Mensageiro do Sétimo Raio III
O Mensageiro do Sétimo Raio IV